Sim. O planejamento da cirurgia plástica depois da segunda ou terceira gravidez pode mudar, porque cada gestação pode provocar novas alterações nas mamas, no abdômen, na pele e na distribuição de gordura corporal. Além disso, o cirurgião precisa considerar cirurgias anteriores, cicatrizes existentes, condição dos tecidos, estabilidade do peso e se a paciente pretende ter outros filhos.

Por isso, mesmo que a mulher já tenha realizado uma cirurgia plástica depois da primeira gestação, uma nova avaliação é necessária antes de decidir quais procedimentos podem ser considerados.

O que pode mudar no corpo depois de mais de uma gravidez?

Não existe uma regra sobre como o corpo se comportará após cada gestação.

Algumas mulheres percebem alterações discretas depois do primeiro filho e mudanças mais evidentes depois da segunda ou terceira gravidez. Outras apresentam características diferentes.

Entre as alterações que podem ocorrer estão:

  • flacidez e excesso de pele no abdômen;
  • afastamento dos músculos abdominais, conhecido como diástase;
  • mudanças no formato e no volume das mamas;
  • queda das mamas;
  • assimetrias;
  • acúmulos de gordura localizada;
  • alterações no contorno corporal.

A avaliação deve considerar quais dessas mudanças realmente estão presentes, em vez de definir uma cirurgia apenas pelo número de gestações.

Já fiz abdominoplastia e engravidei novamente. Posso precisar de outra cirurgia?

É possível que uma nova gestação modifique novamente a região abdominal, inclusive em uma paciente que já realizou abdominoplastia.

O crescimento do útero provoca uma nova distensão da parede abdominal e da pele. Depois do parto, podem permanecer flacidez, excesso de pele ou alterações musculares.

Isso não significa que toda mulher que engravida depois de uma abdominoplastia precisará realizar uma nova cirurgia.

Primeiro é necessário avaliar como o abdômen se comportou depois da gestação e quais alterações permaneceram após a recuperação.

A diástase pode aparecer novamente depois de outra gravidez?

Pode.

Durante a gravidez, os músculos retos abdominais podem se afastar para acomodar o crescimento do útero. Uma nova gestação pode provocar outra distensão da parede abdominal, mesmo quando a região já havia sido tratada anteriormente.

Por isso, quando existe queixa de abdômen projetado depois da segunda ou terceira gestação, é importante avaliar se há diástase abdominal, excesso de pele, gordura localizada ou uma combinação dessas características.

Essa diferenciação influencia diretamente o planejamento cirúrgico.

E quando as maiores mudanças aconteceram nas mamas?

As mamas também podem apresentar alterações diferentes após cada ciclo de gestação e amamentação.

Pode ocorrer perda ou aumento de volume, flacidez, queda, excesso de pele ou assimetria.

Dependendo das características encontradas, podem ser consideradas possibilidades como mastopexia, mamoplastia redutora, prótese de silicone ou outras abordagens.

Uma paciente que colocou prótese ou realizou mastopexia antes de uma nova gravidez também precisa ser reavaliada, porque os tecidos podem ter se modificado.

Depois de várias gestações, é mais comum precisar combinar cirurgias?

Não necessariamente.

Ter passado por duas ou três gestações não significa que a paciente precise realizar vários procedimentos ao mesmo tempo.

Algumas mulheres apresentam uma alteração predominante no abdômen. Outras se incomodam principalmente com as mamas. Há também situações em que diferentes regiões podem ser avaliadas dentro do mesmo planejamento.

Quando existe indicação de tratar mais de uma área, o cirurgião precisa analisar se a associação de procedimentos é apropriada para aquela paciente.

O planejamento muda se eu já tiver cicatrizes de outras cirurgias?

Sim. Cirurgias anteriores fazem parte da avaliação.

Cicatrizes de cesárea, abdominoplastia, mastopexia ou outros procedimentos podem influenciar o planejamento porque o cirurgião precisa avaliar a localização das cicatrizes, a qualidade dos tecidos e o que já foi realizado anteriormente.

Por isso, é importante informar todo o histórico cirúrgico durante a consulta.

Preciso esperar terminar a amamentação?

Quando o planejamento envolve as mamas, é importante que a amamentação tenha terminado e que elas tenham passado pelo período de adaptação após o desmame.

Em geral, considera-se aguardar cerca de seis meses após o término completo da amamentação, mas esse intervalo não deve ser interpretado como uma regra para todas as pacientes.

O momento adequado depende da avaliação médica, da estabilização das mamas e das condições gerais da paciente.

O peso precisa estar estabilizado?

A estabilidade do peso é um dos pontos considerados antes de cirurgias de contorno corporal.

Oscilações importantes de peso depois da cirurgia podem modificar novamente a pele, o volume das mamas e o contorno do abdômen.

Por isso, o planejamento depois da segunda ou terceira gravidez não deve considerar apenas quanto tempo passou desde o parto, mas também como está o organismo naquele momento.

E se eu ainda estiver pensando em ter outro filho?

Essa informação é especialmente importante.

Uma nova gravidez pode alterar novamente regiões tratadas cirurgicamente, principalmente abdômen e mamas.

Isso não significa que uma mulher que pretende engravidar novamente esteja automaticamente impedida de realizar uma cirurgia plástica. Porém, os planos de uma futura gestação precisam fazer parte da conversa com o cirurgião para que o momento e as possibilidades sejam avaliados individualmente.

A cirurgia depois de várias gestações é sempre um Mommy Makeover?

Não.

O termo Mommy Makeover costuma ser utilizado para um planejamento que pode envolver procedimentos em mais de uma região modificada pela gestação, frequentemente mamas e abdômen.

Mas uma paciente pode precisar tratar somente uma região.

O mais importante não é enquadrar o tratamento em um nome, e sim identificar quais alterações existem e quais delas realmente fazem sentido abordar.

O número de filhos define qual cirurgia deve ser feita?

Não. Ter tido uma, duas ou três gestações não determina qual cirurgia plástica será indicada.

Duas mulheres com o mesmo número de filhos podem apresentar características completamente diferentes.

A decisão depende do exame físico, da qualidade da pele, das condições musculares do abdômen, das características das mamas, do histórico de cirurgias, da estabilidade do peso e dos objetivos apresentados durante a consulta.

Conclusão

A segunda ou terceira gravidez pode trazer mudanças diferentes das observadas na primeira gestação. Por isso, o planejamento da cirurgia plástica após várias gestações precisa partir de uma nova avaliação do corpo, mesmo quando a paciente já realizou procedimentos anteriormente.

Mais do que contar quantas gestações ocorreram, é necessário entender como ficaram as mamas, o abdômen e o contorno corporal, considerar cirurgias anteriores e conversar sobre a possibilidade de novas gestações.

A partir dessa avaliação, é possível discutir quais procedimentos podem fazer parte do planejamento e qual é o momento apropriado para considerá-los.

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